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Back Economia A economia brasileira mudou muito em 40 anos (Jornal Nacional - 09/09/2009)

A economia brasileira mudou muito em 40 anos (Jornal Nacional - 09/09/2009)

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Fonte: Jornal Nacional

Na série especial, você vê como o Jornal Nacional, ao longo de seus 40 anos, acompanhou as mudanças na economia brasileira, com troca de moedas, inflação, crises, oscilação do dólar e das bolsas.

Na série que comemora os 40 anos do Jornal Nacional, o assunto desta quarta é economia. E, a reportagem, de Tonico Ferreira.

 

André é hoje um bem sucedido professor universitário. Assim como o Jornal Nacional, ele nasceu há 40 anos. Naquela época, o que o primeiro telejornal transmitido em rede no país mostrava era um Brasil que se desenvolvia num ritmo econômico igual ao da China de hoje.

André e a mulher dele, dois anos mais nova, nos últimos dias de gravidez, lembram que na infância viviam no "país do futuro". “A gente podia perceber que sim estamos bem vamos prosperar porque está tudo indo muito bem, o Brasil dá condições”, disse André Braun.

“O Brasil era o país do futebol, do bom futebol, era o país do futuro, era o país que ia proporcionar uma vida boa pra todos, era o país do crescimento”, disse Gisele da Silva.

O milagre econômico durou até o primeiro choque do preço do petróleo, na esteira da guerra no Oriente Médio. André tinha apenas 4 anos, não se lembra. Mas foi a primeira de várias crises noticiadas pelo Jornal Nacional que produziram efeitos desastrosos na economia brasileira: subida do dólar, queda na bolsa, freio no crescimento, aumento do desemprego e hiperinflação.

Durante alguns anos a maquininha que remarcava os preços esteve no centro do noticiário econômico do país.

“Eu lembro de cenas assim engraçadas, porque eu sempre fui muito envergonhada, minha irmã me puxando não olha lá o menino está com a maquininha lá a gente tem que comprar isso. Vamos pegar antes dele marcar”, disse Gisele.

Por oito anos o Jornal Nacional ajudou brasileiros a entender os vários planos econômicos anunciados para conter a hiperinflação.

“O Brasil inteiro parou hoje para conhecer o pacote econômico do governo. Dentro da loja, no aparelho de TV, o ministro Funaro chama a atenção e quem passa para pra tentar entender melhor o que está acontecendo”, noticiava o Jornal Nacional.

“Ninguém sabia direito quanto deveria custar cada produto e não havia quase ninguém apostando no congelamento”, assistiam os brasileiros.

Com exceção do Real em 94, todos os planos decretaram congelamento de preços. Resultado: os produtos sumiram das prateleiras. “No Rio, o consumidor encontra dificuldades para comprar produtos básicos”, anunciava o JN.

“Minha mãe aumentou o estoque de alimentos, então eu abria o armário via 10 sacos de arroz de 5kg, e de feijão”, disse Gisele.

O Plano Collor, em 90, foi o mais radical. Bloqueou parte dos depósitos bancários, da poupança e das aplicações financeiras.

“Eu lembro sim de um susto, um desespero muito grande. E agora que a gente vai fazer? A gente só tem 50. Não era nem reais. Eu lembro do número 50. Todo mundo vai ter isso”, disse André.

O telespectador soube que ninguém ficou com mais de 50 mil cruzeiros novos na conta corrente ou na poupança. O equivalente a R$ 2,4 mil de hoje. Um sacrifício inútil. Os preços voltaram a subir.

Os salários pareciam prêmios de loteria, mas valiam pouco. A prática era cortar três zeros de tempos em tempos. “A moeda brasileira passa a se chamar a partir de domingo cruzeiro real”, noticiamos.

O pai de André guardou algumas relíquias. "Com a inflação, olha como foi ficando o dinheiro. Precisou de nota de 500 mil cruzeiros", disse.

Durante a hiperinflação, André trabalhava com o pai como vendedor de carros. Para não perder valor, o dinheiro tinha que ser aplicado de um dia para o outro, pernoitar nos bancos. Em inglês, overnight. Vender carro era uma loucura.

"A gente fazia venda e a pessoa tinha que pagar até meio-dia. Se ela não pagasse até meio-dia à tarde era outro preço. E no horário bancário, fechava o banco a gente não podia nem vender porque se vendesse ia ter que aplicar a taxa do overnight para o outro dia", contou André.

Só em 94, o plano real pôs fim a hiperinflação. “Eu comecei a ter o meu dinheiro e controlar um pouco mais dessa época em diante”. André mudou de ramo. Abriu uma agência de turismo e se beneficiou com a valorização da nova moeda.

“A maioria das casas de câmbio não abriu. No Rio, nas poucas que funcionaram, o dólar estava valendo menos do que o real”, noticiou o JN. Mas André viu seu negócio desmoronar com a crise provocada pelo ataque às torres gêmeas em 2001.

“Eram 8h45 da manhã em Nova York, 9h45 em Brasília. Um avião americano de passageiros batia em cheio numa das torres do World Trade Center”, noticiava o JN.

“Passagem que não vendia mais, viagens internacionais que pararam”, disse André. E não foi só o ato terrorista em Nova Yorque, qualquer problema lá fora, na Ásia, na Argentina, no México, chegava aqui em forma de profunda crise econômica.

No noticiário, esses abalos tinham apelidos: Efeito Tequila, Efeito Tango. Com grande dívida externa, o Brasil era muito vulnerável. Só no ano passado, pela primeira vez desde a independência, o país conseguiu acumular divisas em moeda estrangeira suficientes para pagar toda a dívida. Foi manchete no Jornal Nacional. “O brasil estaria em condições de pagar toda a dívida externa e ainda sobrariam US$ 4 bilhões”.

Pedro, o filho de André e Giszele, nasceu no dia primeiro de setembro. E foi também num primeiro de setembro que, há quarenta anos, nascia o Jornal Nacional. “O meu filho nasceu e vai viver uma época mais tranquila, menos atribulada do que a gente viveu com tantas mudanças nesses 40 anos. Principalmente com essa estabilidade a gente pode planejar a médio e longo prazo. Ele pode planejar o futuro dele, nós podemos planejar com mais tranquilidade o futuro do Pedro”.

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