Triste exemplo de descaso com a educação pública (DFTV - 30/01/2010)
Fonte: DFTV 2ª Edição
No total, 1.300 alunos de uma escola pública em Valparaíso vão começar o ano letivo, na próxima segunda-feira, dia 1º, com apenas metade da carga horária. Motivo: a escola está caindo aos pedaços.
As portas do Colégio Estadual de Valparaíso estão abertas. Alguns alunos deixaram para fazer a matrícula nos últimos dias das férias. Nayara dos Santos foi uma delas. Novata na escola, ela não gostou do que viu.
“É muito difícil estudar assim, num colégio cheio de mato, quase todo derrubado. Eu não gostei não”, reclama a estudante Nayara Almeida Santos.
Em novembro do ano passado, parte do forro de uma das salas caiu por causa da chuva. As paredes estavam cheias de infiltração. Uma sala chegou a ficar alagada. Parte da fiação estava exposta. Alguns problemas foram resolvidos pela direção da escola, que arrumou o forro e os fios. Mas o banheiro continua em situação precária: sem torneiras e com azulejos despencando.
Com tantos riscos aos alunos, a Defesa Civil interditou 13, das 20 salas da escola. A direção garante que vai ter aula a partir de segunda-feira, dia 1º. Para isso, reduziu o horário escolar de quatro para duas horas. Uma aula de 50 minutos passará a ter somente meia hora.
A redução dos turnos não agradou aos pais e alunos. “Como a educação do Estado já é UM pouco defasada, eu acho que vai prejudicar muito”, reclama a mãe de aluno Kátia Cilene.
“Não tem como aprender com aula em 30 minutos. É pouco tempo para estudar”, fala o aluno Carlos Henrique Ludgério.
A direção disse que vem pedindo a reforma da escola para a Secretaria de Educação, em Goiânia, desde 2007. “No ano passado, eles falaram que iam ver se conseguiam liberar tudo antes das aulas. Agora tem que ver quando é que eles vão conseguir liberar esta verba, parece que estão correndo atrás”, afirma o diretor Wladimyr Ierolasv.
Do outro lado da escola, onde sobraram sete salas, há uma fossa com a tampa quebrada. A Defesa Civil diz que por causa disso, todo o colégio está interditado e só abrirá caso a fossa seja consertada.
“Hoje já está sendo encaminhado para o Ministério Público o documento de interdição por tempo indeterminado, enquanto não se providencia o reparo, inclusive do prédio em anexo. Enquanto não for reparado, inclusive a entrada do prédio, na segunda-feira também não se inicia as aulas”, garante o subtenente Luiz Marcos, da Defesa Civil-GO.
A Secretaria de Educação de Goiás - que não fez o serviço durante as férias - agora informa que vai publicar na segunda-feira, dia 1º, uma portaria que autoriza a reforma, em 30 dias.
Fred Ferreira / Romildo Gomes










