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FESTAS JUNINAS PEGAM FOGO EM BRASÍLIA - PROGRAMAÇÃO - DF

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Festas juninas pegam fogo em Brasília nesta temporada

Celebrações que no Nordeste têm importância equiparada ao Natal fazem sucesso tanto pelo fato de a cidade ter muitos imigrantes nordestinos quanto pelo apelo popular. Os folguedos conquistam um público cada vez maior

Mariana Moreira- Publicação: 26/05/2010 08:21 Atualização: 26/05/2010 08:44

Quadrilha do Paranoá ensaia: cores fortes compõem o tom da alegria

Movimentos sincronizados remetem ao espírito comemorativo da festa

É tempo de ressuscitar o chapéu de palha, as camisas em padrão xadrez e os vestidos de chita multicolorida. Entre as guloseimas, não pode faltar canjica, pé de moleque e quentão. As toras de madeira viram alimento para a fogueira e folhas de papel de seda ganham forma de balões. Mais uma vez, é hora de abrir espaço na agenda para as festas juninas, uma expressão nacional presente também nos quatro cantos do Distrito Federal. “A tradição aqui é fortíssima. Hoje estamos à frente de qualquer estado. Nos outros lugares, as festas se concentram no mês de junho, mas aqui duram de maio até setembro”, reforça o presidente da Liga Independente de Quadrilhas Juninas do DF e Entorno, Hamilton Xavier, o Tatu.

Hoje, o Distrito Federal tem mais de 200 grupos de quadrilha, dança típica dos festejos, sendo 68 filiados à liga. Só de competições do gênero, já são 60. “Uma das principais diversões de Brasília são as festas de são-joão. Toda ruazinha se enfeita, toda quadra tem seu grupinho de quadrilha, seja da escola ou da igreja”, considera Xavier. E o fascínio, para ele, é fácil de explicar: são nordestinos ou descendentes deles com saudades de casa ou interessados nas próprias raízes. Para Tatu, um retirante sem condições de revisitar a família na terra natal tem a oportunidade de experimentar mais uma vez a sensação de estar diante da própria cultura. Quem não se enquadra nessa categoria também é tocado pelos encantos de uma tradição diversificada e exuberante.

Terra de forró
Uma das cidades a respirar festa junina durante estes quatro meses de festejos é o Paranoá. “Aqui temos uma particularidade. As festas começam em 1º de maio, em homenagem ao Dia do Trabalhador, e só terminam em 18 de julho, com o Arraiá da Tradição”, informa o presidente do Grêmio Recreativo Amigos do Paranoá e Itapoã e diretor do Arraiá Pula Fogueira, Cléber Almeida. Entre as duas datas, quase todas as quadras organizam sua própria festança e 11 arraiás que fazem parte da programação oficial da cidade são realizados.

Só no Paranoá, hoje existem 10 grupos de quadrilha junina, que reúnem cerca de 600 dançarinos. Nesta conta, entram ainda as costureiras, os seguranças e os funcionários contratados para trabalhar na festa. Para completar, é preciso contratar micro-ônibus para transportar os grupos, contratar bandas, equipamento de som e montagem de palco. “Fazemos trabalho social junto aos jovens, impedimos que uma cultura morra e geramos emprego e renda para nossa comunidade. Sem pretensão, movimentamos em torno de R$ 500 mil na época das festas aqui no Paranoá”, calcula Cléber Almeida. Os diretores de grupos afirmam que tocam a atividade sem apoio financeiro do governo e conseguem concretizar os folguedos graças a patrocínios de comerciantes locais. Em contrapartida, só contratam os serviços de pequenos empresários da cidade.

A dona de casa Alba Soares, 44 anos, cultiva uma antiga paixão pelas festividades juninas. Ela sempre dançou quadrilha no quintal de casa, mas, em uma noite estrelada, decidiu criar um grupo, o Arraiá Brilho do Luar, em atividade há duas décadas. Os primeiros ensaios foram ao ar livre, sobre a terra vermelha que dominava a paisagem da cidade. Era preciso jogar baldes de água para a poeira baixar. Para manter o sonho de pé, ela já colheu muita palha para decorar barraquinhas, usou um caminhão como palco para os dançarinos e também se apresentou no escuro muitas vezes. Ainda acha que o sonho vale a pena, mesmo envolvendo sacrifícios. “De vez em quando, a gente deixa de dar alguma coisa para um filho, só para comprar o figurino de um dançarino que não pode bancar”, admite.

E a paixão parece correr no sangue da família. Sua sobrinha, a estudante Simone Viana, 25 anos, é a mais antiga seguidora do arraiá e há 20 se dedica à dança, sem interrupções. “Desde os 5 anos de idade, chorava para dançar e sempre quis ser a noiva”, diverte-se. Ela lamenta que hoje os jovens da sua idade prefiram frequentar bailes funk e shows de axé em vez de valorizar a cultura popular, mas dá sua contribuição para que a tradição não morra: seu filho de 8 anos acaba de estrear na quadrilha.

O estudante E.N., 17 anos, é outro exemplo da influência positiva que a paixão pela dança e pela festa pode exercer. Há cerca de três anos, ele começou a beber e a se envolver com drogas. Chegou até mesmo a revender tóxicos, o que causou preocupação geral na família. Um irmão do garoto sugeriu que ele procurasse por um grupo de quadrilha e o apresentou a amigos que frequentavam o Arraiá Colo de Menino. “As pessoas, o presidente, todo mundo começou a me ajudar. Hoje não bebo mais, só danço”, comemora.

O número
R$ 500 mil -
Quantia que chega a ser movimentada durante as festas juninas do Paranoá


Diversão e bolso cheio
Para uns, a temporada de festas juninas é sinônimo de diversão. Para outros, significa uma oportunidade de encher o cofrinho. “A festa junina é o Natal, é o carnaval do forrozeiro”, afirma José Torres da Silva, ou Torres do Rojão, vocalista e tocador de triângulo do Trio Siridó. Os compromissos dos músicos começam a se intensificar em março e a agenda segue cheia até agosto. “Pelo menos temos shows marcados até lá”, garante ele, que soube de pelo menos 15 apresentações do grupo durante o período das festas. Nesta fase em que o forró se torna a trilha sonora oficial do país, é comum as bandas terem de se desdobrar para darem conta de tantos compromissos. “Às vezes, fazemos a abertura de um show, uma banda convidada assume, enquanto corremos para abrir outro evento. Depois, chamamos uma nova banda convidada e corremos de volta para encerrar o primeiro evento” explica.

Mas quando o volume de convites fica impossível de administrar, a única saída é indicar os forrozeiros de confiança. Na intenção de encaixar todas as propostas, o Trio Siridó já chegou a fazer quatro shows em um mesmo dia. Torres do Rojão garante que o prazer de animar a “caipirada” compensa o cansaço, que só se faz notar depois que a temporada junina acaba. E quais os clássicos do gênero que nunca podem faltar no arrasta-pé? “Muito Luiz Gonzaga, (as músicas) Asa branca, Casa de reboco… Também fazemos o vanerão, uma variação regional sulista dentro do forró”, responde o especialista.


Programação local

Festa da Paróquia Santa Cruz e Santa Edwiges
Quinta-feira a domingo
A partir de 18h
Local: Paróquia Santa Cruz e Santa Edwiges — 905 Sul
Atrações: Além de comidas típicas e regionais, está prevista a apresentação de Flávio Brasil e sua banda
Entrada franca

Festa da Universidade Católica de Brasília

Sexta-feira
A partir de 19h
Local: Universidade Católica de Brasília — Pistão Sul – Taguatinga
Atrações: Este ano, o estado homenageado será Pernambuco e o tema será a arte do ceramista pernambucano Mestre Vitalino. A grande atração será o show da dupla Zezé Di Camargo e Luciano, mas haverá apresentações de Irah Caldeira e da Banda Bicho de Pé.
Ingressos: R$ 10 para estudantes R$ 40 (inteira) /20 (meia) para a comunidade

Festa Junina do Country Club
Sexta-feira e sábado
A partir de 22h na sexta-feira e 20h no sábado
Local: Country Club de Brasília — Setor de Mansões Park Way,
Quadra 27
Atrações: Na sexta-feira, a festa será comandada pela Banda Rastapé e pela dupla Pedro Paulo e Matheus. O cantor sertanejo Leonardo e o Trio Siridó serão as estrelas da noite de sábado. Haverá apresentação de quadrilhas. Na tenda eletrônica, os DJs Joãozinho Chapéu de Couro e Sony comandarão as picapes
Ingressos: primeiro lote a R$ 50

Festa do Seu João
2 de junho
A partir de 22h
Local: Asbac — Setor de Clubes Sul, Trecho 2, Conjunto 31
Atrações: Às 22h, está prevista a apresentação do grupo Só Pra Xamegar. Às 23h, show com Bruno e Marrone. Por volta de 0h30, é a vez do grupo Salve Jorge. Às 2h30, apresentação da Banda Eva. Às 3h, show do grupo Carnavália. Durante a noite, os DJs Léo S/A, Christian Luke, Hand’s Up Live! e André Pulse também se apresentarão
Ingressos: primeiro lote a R$ 60

Festa do Iate
10, 11 e 12 de junho
A partir de 19h
Local: Setor de Clubes Norte, Trecho 2, Conjunto 4
Atrações: Os temas da festa serão o cinquentenário de Brasília e a Copa do Mundo de 2010. Haverá surpresas por toda parte e um estúdio fotográfico será montado para registrar os melhores momentos da festa. Na primeira noite, a atração musical será a dupla Brunno e Matheus. Na sexta-feira, a banda Forró Lunar comandará o palco. Para o sábado, está prevista a apresentação da dupla Roniel e Rafael. Em todas as noites, haverá performance de quadrilhas e discotecagem do DJ Renê Ricochet. Haverá ainda brinquedoteca, feira de artesanato e berçário
Ingressos: Entrada franca para sócios. Convites à venda na tesouraria do clube para não sócios. Na quinta, a entrada custa R$ 25 (meia). Na sexta-feira e no sábado, o valor sobe para R$ 30. A meia-entrada é válida para estudantes, maiores de 60 ou para quem doar 1kg de alimento não perecível no ato da compra

Arraiá do Clube do Exército
11 e 12 de junho (sexta e sábado)
A partir das 19h
Local: Avenida Duque de Caxias, s/nº, Setor Militar Urbano, em frente ao Oratório do Soldado
Atrações: Além da apresentação de quadrilhas e comidas típicas, será servido um churrasco de costela gaúcha. As crianças poderão usufruir de brinquedos infláveis. Na sexta-feira, se apresentará a Banda Imagem. No sábado, será a vez do grupo Sintonia do Forró
Ingressos: R$ 10 (meia)

XXVIIII Arraiá do Clube Nipo-Brasileiro
12 de junho
A partir de 18h
Local: Setor de Clubes Sul, Trecho 1
Atrações: Festa organizada pela comunidade japonesa de Brasília, que atrai simpatizantes da culinária japonesa. Além das tradicionais comidas de festa junina,será possível provar pratos japoneses, como yakissoba, udon, guioza, yakitori, sashimi, tempurá e saquê de arroz
Entrada franca

Fonte: Correio Braziliense


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