Medicamentos não podem ficar mais expostos em farmácias a partir de quinta-feira (Jornal da Globo - 18/02/2010)
Fonte: Jornal da Globo
Está marcada para esta quinta-feira uma mudança importante em todas as farmácias e drogarias do país: remédios que podem ser vendidos sem receita têm que sair das gôndolas e ir para trás do balcão.
Uma novidade que não agrada todo mundo e ainda provoca muita confusão.
Estantes cheias e acesso fácil a medicamentos. O consumidor que entra atualmente nas farmácias escolhe sozinho o que quer levar para casa.
A partir de quinta-feira começa a valer a nova norma da Agência Nacional de Vigilância Sanitária que determina que só fitoterápicos, que são remédios à base de plantas e hervas, itens de perfumaria e alimentos funcionais fiquem nas gôndolas.
Outros medicamentos, como antigripais ou comprimidos para dor de cabeça, com o balconista.
“Pode ser que ocasione mais filas, Assim é mais fácil, pega e passa no caixa”, disse a secretária Isabela Absanra.
“Medicamento não deixa de ser droga. Precisa realmente haver um controle”, declarou a advogada Ana Carolina Oliveira.
As farmácias tiveram seis meses para se adequar a rotina, mas resistem às mudanças.
“Talvez o número de funcionários que eu tenho atualmente não seja adequado. Isso quer dizer que vou ter que contratar pessoas e isso aumenta os custos”, observou farmacêutico Juan Carlos Becerra Rios.
O resultado é uma guerra de liminares que deixa difícil saber quem tem que cumprir a regra.
Para a gente ter uma ideia da confusão a mesma rede de farmácias há duas situações. A primeira: nas lojas mais novas estão dentro das regras da Anvisa e os medicamentos não ficam ao alcance dos clientes.
Já as lojas mais antigas não estão adaptadas. Uma delas visitada pela reportagem não deve mudar o sistema de vendas nos próximos dias.
A empresa se baseia em uma liminar concedida a Abrafarma, associação que representa mais de duas mil farmácias no Brasil.
Enquanto a decisão estiver valendo, elas estão desobrigadas de seguir as regras.
Outras associações também ganharam esse direito na Justiça. Pelo menos por um tempo, o consumidor vai esbarrar com as duas formas de venda.
“Vai demorar um tempo até as pessoas criarem a cultura de seguir as regras. Estamos tratando de mudança cultural, caminhada longa, mas precisa dar o primeiro passo”, afirmou Pedro Menegasso, diretor do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo.










