Golpe pela internet faz vítimas em onze estados brasileiros (Jornal Hoje - 31/07/2009)
Fonte: Jornal Hoje
Conversas entre criminosos e vítimas revelam um golpe que se espalhou no país: os bandidos debocham de quem acreditou na venda de carros com preços bem abaixo do mercado.
Não bastou cair num golpe e perder dinheiro. A vítima ainda teve de ouvir o deboche dos bandidos. Foi o que registrou a gravação feita pela polícia do Pará, com a autorização da justiça.
Um homem liga para reclamar que o carro não tinha sido entregue e o golpista desdenha.
Vítima: o que houve aí?
Golpista: o que houve meu negão é que você foi picado rapaz. Isso aqui é máfia! Perdeu seu dinheiro.
Vítima: é, né...
Golpista: entendeu?
Vítima: é, mas já botei a polícia atrás de você.
Golpista: não existe nada. Não existe loja, não existe compra, não existe carro, não existe nada. A única coisa que existiu foi o seu vacilo. Você tem que ficar com raiva de você mesmo. Se você quiser registrar uma ocorrência, pode ir lá que você vai pegar uma fila lá com os registros que tem nosso lá. A delegada, a delegada já ta sabendo, já vai lá, fica à vontade.
Agora quem não está à vontade são os seis integrantes da quadrilha que foram presos em Belém e em Manaus. Eles vão responder por estelionato, formação de quadrilha, falsificação de documentos e falsidade ideológica.
Júlio César Rodrigues e Cláudio Vargas são apontados como líderes do bando. Com eles foram apreendidos computadores, cartões de crédito e documentos.
A quadrilha agia em onze estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e fez pelo menos cem vítimas. Os golpistas usavam a internet, ofereciam carros abaixo do valor de mercado. Um golpe já conhecido, mas que ainda provoca muitos prejuízos.
Um estudante que prefere não aparecer, pagou R$ 3.600 de entrada num carro que nunca recebeu. “A entrega não foi feita no dia acordado. No término da negociação, eles ligaram falando que era um golpe”, conta.
A polícia orienta que as compras pela internet só devem feitas quando a pessoa tem absoluta confiança na empresa que oferece o produto.
“Os cuidados que eu indico sempre é primeiramente verificar se a empresa tem sede, se tem como fazer reclamação, se tem um órgão destinado para isso, se os telefones que são anunciados para isso são verdadeiros, a idoneidade dos proprietários, dos representantes e verificar se a mercadoria tem origem é lícita. Toda vez que você desconfiar é melhor não comprar”, diz a delegada.










