(Rafale) é o caça que os franceses querem vender para o Brasil (Jornal da Globo - 03/09/2009)
Fonte: Jornal da Globo
A francesa 'Dassault', fabricante do 'Rafale', apresenta seu caça de combate. A aeronave pode ser adotada pelo Brasil para substituir a atual frota de caças supersônicos.
O Presidente Lula disse que é a favor do caça francês 'Rafale', que concorre com um avião americano e outro sueco pelo contrato de reequipamento de aviões de combate da FAB.
Em entrevista à agência de notícias France Presse, Lula afirmou que a França se apresentou como o país mais flexível na questão da transferência de tecnologia e que essa, segundo o Presidente, seria uma vantagem comparativa excepcional.
O Palácio do Planalto confirmou o teor das declarações do presidente.
Um forte aperto de mão, olhar firme, o produto na lapela. O homem escolhido para vender o 'Rafale' no Brasil, Jean-Marc Merialdo, quase eliminou o sotaque.
Conhece bem os militares do país. Fez intercâmbio na escola de comando e estado-maior do Exército, no Rio, e tem na ponta da língua a defesa do caça francês.
"Ele alia um avião de alto desempenho operacional, com uma ampla transferência de tecnologia e um programa de cooperação importante com a indústria brasileira. Esse avião foi concebido desde o início para ser um avião multiuso, quer dizer que ele cumpra todas as missões que devem ser cumpridas por um avião de combate".
A briga do 'Rafale' é contra o sueco 'Gripen' e o americano 'Super-hornet'. Lançado em 2001, o 'Rafale' é um avião novo. Há 75 em operação nas Forças Armadas Francesas, foi testado em combate, no Afeganistão e o único, dizem os franceses, que pode operar no porta aviões São Paulo, comprado da França.
Mas por que o Brasil escolheria uma aeronave que até agora não venceu nenhuma das quatro concorrências internacionais que disputou? "O principal aspecto é a garantia dada pelo governo francês de que haverá transferência de tecnologia. É um compromisso de longa duração, vai muito além do período de entrega dos aviões".
Antes, é preciso apagar a má impressão do passado. Brasil, com os caças 'Mirage' nos anos 80, e Índia, que comprou submarinos, até hoje reclamam da dificuldade em ter acesso à tecnologia francesa.
Cabe ao principal fiador do 'Rafale' obter esse voto de confiança. Nicolas Sarkozy é convidado do Presidente Lula para a festa do 7 de setembro, na próxima segunda.
Não é segredo para ninguém que o 'Rafale' é o preferido do Ministro da Defesa, Nelson Jobim. Em 2008, Brasil e França firmaram parceria estratégica para a construção de helicópteros e de um submarino nuclear.
Os fabricantes da aeronave francesa negam favoritismo, mas admitem que os laços políticos pesam numa disputa como essa. "O peso político é importante, na medida em que é a própria nação que se compromete comprando um avião para os próximos 30 ou 40 anos. Então, é uma decisão. A última decisão, é uma decisão política".










