Ônibus do Entorno circulam com contratos de concessões vencidos (DFTV - 16/07/2009)

Fonte: DFTV 2ª Edição
Passagem cara, ônibus velhos e lotados. É o que a população do Entorno enfrenta todos os dias para chegar a Brasília. A rotina poderia ser bem melhor se houvesse concorrência entre as empresas.
Na beira da rodovia e debaixo de sol, os moradores de Águas Lindas esperam por ônibus que não têm hora para passar. “Normalmente, a gente espera um ônibus em um horário, mas ele sempre atrasa. Às vezes passa um pouco mais cedo, e o jeito é ficar aguardando o próximo que vai chegar”, diz o agente de portaria Ramon Pereira.
“Fiquei esperando mais de duas horas pelo ônibus”, conta uma senhora.
E se a espera é maior em horários de menos movimento, no horário de pico a superlotação torna o percurso até o Distrito Federal perigoso. “A gente tem medo, porque já viu muito acidente com os ônibus daqui. Principalmente na curva da Barragem, já caiu três ônibus ali”, conta o pedreiro José Antônio Souza.
A explicação para o serviço ruim pode estar na falta de concorrência. Apesar da Constituição de 1988 determinar que o transporte público fosse contratado por licitação, as empresas de ônibus continuaram operando com contratos antigos, firmados por meio de concessões do Ministério dos Transportes. Todos estão vencidos desde o ano passado.
A Viação Anapolina tem o monopólio do transporte em cinco cidades do Entorno. O primeiro contrato é de 1961. E quando os rodoviários param, como aconteceu na manhã desta quinta-feira, dia 15, no Lago Azul, os passageiros ficam sem ter como sair da cidade.
“O patrão está lá esperando, o ponto de hoje é cortado”, reclama o ladrilheiro Daniel Oliveira.
Em Planaltina de Goiás, também existe apenas uma empresa de ônibus, assim como em Santo Antônio do Descoberto e Padre Bernardo. As primeiras licitações seriam feitas em julho, mas elas foram adiadas pela ANTT. E, agora, não há mais prazo para renovar as concessões.
A ANTT informou que adiou o edital de licitação, porque as empresas enviaram informações desatualizadas. E, agora, espera uma resposta do Tribunal de Contas da União, que vai apontar um novo prazo.
Renata Feldmann / Almir de Queiroz / Marcione Santana









